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01/05/2013

Livros que ajudam a escrever melhor


Gostaria de iniciar uma série de posts falando sobre alguns livros que nos ajudam a escrever melhor. Não falo aqui dos bons livros de literatura, ficção ou não ficção, que sempre nos ensinam  a redigir,  e sim de livros sobre a língua portuguesa ou sobre a escrita, mais especificamente.

O primeiro livro que gostaria de recomendar conheci  quando estava na Faculdade de Letras. É o Comunicação em Prosa Moderna, do Othon M. Garcia. Esse é um daqueles livros que uso como referência e  mantenho sempre à mão.  A maior prova do seu valor está nas inúmeras reedições que o livro já teve desde a sua publicação: está na 27a. edição.

No livro de Othon Garcia há um capítulo que acho especialmente interessante. Chama-se "Como Criar Ideias" no qual o autor nos explica como tomar notas e também como criar fichas de resumo. Na parte final do livro, há vários exercícios que certamente serão úteis ao leitor que queira escrever melhor.

18/12/2011

Sobre o ato de escrever...



Agora que o ano letivo se encerrou, tenho mais tempo para ler e escrever, inclusive os posts deste blog. E tenho pensado muito sobre o ato de escrever.

O que seria realmente escrever? Apenas dominar as técnicas de redação? Ortografia? Sintaxe? Claro que não. Escrever é muito mais do que isso. Escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida. E se executada de determinado modo e com certos objetivos pode levar à criação de uma obra de arte, ou seja, de um texto literário. É claro que no caso da literatura outros componentes entram em jogo. Afinal, nem todo texto escrito é uma obra literária.

No ensino de redação há vários níveis de escrita. Quando o aluno inicia o seu contato com as letras, o grau e o foco de exigência do professor é um. Nesse momento, a técnica, as regras gramaticais e a ortografia precisam ser ensinadas e aprendidas. Depois o foco da avaliação deve ser outro; gradativamente, ao longo do ensino fundamental e médio, oportunidades de escrever devem ser oferecidas ao aluno, bem como um feedback que o auxilie a melhorar o seu texto. Nem sempre é fácil pois no sistema escolar é necessário quantificar a produção do aluno. E isso é realmente subjetivo e, algumas vezes, pode até ser desmotivante tanto para o aluno quanto para o professor. Quando se trata de avaliar uma redação é necessário que os critérios usados pelo professor fiquem claros para os alunos.

Lembro sempre de uma citação de João Cabral de Melo Neto: "Escrever é estar no extremo de si mesmo". E não é que é isso mesmo? Nas aulas de redação, nós professores costumamos pedir ao aluno nada mais nada menos para agir no extremo de si mesmo. Nada fácil. Principalmente quando nem sempre estamos dispostos a frequentar esse abismo, esse precipício pleno de possibilidades (e de riscos) que é o ato de escrever.

Aqui estão algumas reflexões de autores conhecidos sobre o ato de escrever:

"Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias." (Pablo Neruda)

"Escrever é, simplesmente, uma maneira de falar sem que nos interrompam." (Sofocleto)

"É preciso escrever o mais possível como se fala e não falar demais como se escreve." (Sainte-Beuve)

"O ato de escrever é a arte de sentar-se numa cadeira." (Sinclair Lewis)

"Somos todos escritores. Só que uns escrevem, outros não." (José Saramago)

"Escrever é ter coisas para dizer." (Darcy Ribeiro)

"Perdoe-me, senhora, se escrevi carta tão comprida. Não tive tempo de fazê-la curta." (Voltaire)

"Reescrevi 30 vezes o último parágrafo de 'Adeus às Armas' antes de me sentir satisfeito." (Ernest Hemingway)

"Uma história se conta, não se explica." (Jorge Amado)

"Escrevo para que meus amigos me amem ainda mais." (Gabriel García-Márquez)

"Cada um escreve do jeito que respira. Cada um tem seu estilo. Devo minha literatura à asma." (Fabrício Carpinejar)

"Escrever é um ato de liberdade." (Martin Amis)

"Escrever é uma forma de a voz sobreviver à pessoa." (Margaret Atwood)

"De escrever para marmanjos já me enjoei. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo." (Monteiro Lobato)

"Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer é porque um dos dois é burro." (Mário Quintana)

"Existem três regras para escrever ficção. Infelizmente ninguém sabe quais são elas." (W. Somerset Maugham)

"O autor escreve apenas metade de um livro. A outra metade fica por conta do leitor." (Joseph Conrad)

"Corrigir uma página é fácil, mas escrevê-la, ah, amigo! Isso é difícil." (Jorge Luis Borges)

"Escrever não é fácil ou difícil, mas possível ou impossível." (Camilo José Cela)

"Escrever é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um instante em forma de palavra." (Margaret Atwood)

"Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida." (Clarice Lispector)

"Para escrever bem é preciso uma facilidade natural e uma dificuldade adquirida." (Joseph Joubert)

"Escrever não é nada mais senão ter o tempo de dizer: estou morrendo." (Gaëtan Picon)

"Uns escrevem para salvar a humanidade ou incitar lutas de classes, outros para se perpetuar nos manuais de literatura ou conquistar posições e honrarias. Os melhores são os que escrevem pelo prazer de escrever." (Lêdo Ivo)

"Escrever é sacudir o sentido do mundo." (Roland Barthes)

14/08/2011

Uma boa dissertação: quatro elementos básicos.



Um post especial para os meus alunos que estão aprendendo a dissertar: os quatro elementos básicos de uma boa dissertação. Esses elementos referem-se à forma. Sobre o conteúdo, conversamos depois.

31/08/2010

Como iniciar uma redação?

Se todo escritor, vez ou outra, se depara com o famoso "bloqueio", o que dizer do aluno em uma situação de prova? Muitas vezes, o mais difícil é mesmo começar a redação. Após o primeiro parágrafo, parece que as ideias fluem melhor. Então, o que fazer diante da folha em branco?

Para ajudá-los, aqui estão 18 dicas de como inciar um texto.

19/08/2010

Temas de redação do ENEM

Leiam abaixo todos os temas de redação do ENEM até o ano passado:

1998: A redação do Primeiro Enem teve como tema “Viver e Aprender” e teve como base a música “O Que é, O Que é” de Gonzaguinha.

1999: Neste ano, os estudantes tiveram de realizar uma dissertação sobre “Cidadania e a Participação Social”, na redação o aluno deveria ainda escrever uma proposta de ação social.

2000: Na redação deste ano o tema foi ” Os Direitos das Crianças e do Adolescentes”, no texto, o candidato precisava comentar sobre como enfrentar situações em que há desrespeito a infância.

2001: A Redação deste ano tinha como tema “A Preservação Ambiental”, Nesta redação os candidatos precisavam responder a seguinte questão “Como Conciliar os Interesses em Conflito”.

2002: Teve como tema “O direito de votar: como utilizar-se do voto para promover as transformações sociais que o Brasil precisa?”

2003: A dissertação deste ano teve como tema “A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo?”. Para realizar a redação, os candidatos tinha recebido diversos textos e dados do Brasil sobre investimento em Segurança Pública.

2004: Neste ano, o Tema da redação era sobre o “A Liberdade de Informação e os Abusos dos Meios de Comunicação”

2005: O redação do Enem deste ano tinha como Tema “O Trabalho Infantil”. Para realização da redação foram apresentadas aos candidatos alguns dados sobre o número de crianças que trabalhavam no Brasil.

2006: O Tema foi “O Poder de Transformação da Leitura”. Neste ano o candidato receber diversos textos comentando sobre a importância de ler.

2007: A redação deste ano tinha como tema “A Diversidade Cultural”. Na redação o candidato tinha de refletir de como conviver com as diferenças de crenças, raças, etc.

2008: O Tema foi “A Preservação da Floresta Amazônica”. na redação o candidato tinha de escolher uma das 3 opções oferecidas e analisar os pontos positivos e negativos de cada uma delas. Entre as possibilidades oferecidas para preservação estavam: Suspender o Desmatamento, Dar incentivo financeiro para proprietários deixarem de desmatar e a de Maior fiscalização e aplicação de multas para quem desmatar.

2009: Nesta última redação o tema foi “A Valorização da Terceira Idade”. Na redação o candidato tinha de escrever uma proposta de ação social.

20/07/2010

Sobre ler e escrever



Há um livro que considero fundamental para quem deseja escrever bem. Chama-se Redação Inquieta, de Gustavo Bernardo. Vejam o que o autor fala sobre ler e escrever:

"Ler é um movimento extremamente passivo - mas um movimento, porque mexe com as imagens interiores, guardadas, reprimidas, acrescentando-lhes outras e transformando as que o leitor já traz consigo. Escrever, por sua vez, é um movimento extremamente ativo, fazendo imagens, trazendo algumas do fundo e dando-lhes forma, trazendo outras do mundo e modificando-lhes a forma - na direção de um estilo pessoal.

A relação entre escrever e ler, entretanto, vem sendo posta como mecânica, de ligação direta, levando à ideia de que uma pessoa que leia muito necessariamente escreve bem. Isso é falso.

(...)

Ler muito não pode levar a escrever. Pode levar a ler bem - o que será muito importante, claro. Ler bem, por sua vez, pode ajudar a viver, porque o sujeito se informa, se identifica, se transfere, principalmente se anima...

Logo, ler não é a condição para escrever, mas sim munição para viver, e para escrever também. A atitude de ler é metonímia da vontade de entender o mundo. A atitude de escrever, por sua vez, é metonímia da pretensão, legítima e transcendente de transformar o mundo..."

11/11/2009

ENEM 2009: Redação

Toda prova de redação começa com uma prova de leitura.

Essa e outras dicas importantes são dadas pelo Professor Francisco Platão Savioli no vídeo abaixo.


01/05/2009

Dicas para uma boa redação



Costumo dizer aos alunos que a reflexão é o primeiro passo para uma boa redação. E para isso é necessário que os alunos se preparem ao longo do ano lendo e debatendo assuntos do momento. É preciso que os alunos construam suas ideias a partir de uma reflexão profunda sobre os temas. Um texto organizad0, claro e coerente é decorrente de ideias igualmente organizadas, claras e coerentes.


Neste site há dicas ótimas sobre como fazer uma redação nota 10 e também exemplos de redações aprovadas.


12/11/2008

Melhores redações em livro



A Unicamp resolveu publicar as melhores redações do vestibular. O livro parece interessante e mostra que é possível escrever um bom texto que respeite as exigências do concurso.

11/11/2008

Redação: técnicas



Os meus alunos estão sempre me perguntando sobre "as técnicas de redação". E eu costumo explicar-lhes: aprender a escrever é também uma habilidade. E, a exemplo de outras habilidades (tocar um instrumento, falar línguas, praticar um esporte), a prática é necessária. De pouco adianta uma lista de recomendações no último momento se o aluno não teve contato com a linguagem escrita, não tentou colocar as suas idéis no papel, não errou, acertou, errou novamente para finalmente acertar. O aluno que escreve bem, o faz porque ao longo do curso foi desenvolvendo a sua prática de redação.

Entretanto, é claro que é sempre bom lembrar também de alguns conselhos básicos. Neste site vocês encontrarão algumas dicas de como fazer uma boa redação. Boa sorte!

22/09/2008

Inspiração...onde está você?


Uma das queixas dos meus alunos é "estou sem inspiração para escrever". No caso da redação escolar, a queixa mascara, muitas vezes, outras dificuldades. Além, é claro, de reforçar o mito de que para escrever bem, você precisa andar de mãos dadas com a inspiração o tempo todo.

Vários escritores já falaram sobre o processo da escrita. Dizem eles que se há uma centelha criadora, seus textos só são concluídos com muito trabalho e esforço. Há até a famosa frase "escrever é 10% de inspiração e 90% de transpiração. Se isso acontece com escritores, profissionais que trabalham diariamente com a escrita, por que não aconteceria com um aluno de ensino médio?

É preciso tentar investigar o que realmente está por trás da "falta de inspiração". Falta de leitura, falta de intimidade com a linguagem escrita, falta de conhecimento do tema, frágil domínio da ortografia, vocabulário escasso, falta de prática e medo de expor suas idéias são algumas das possíveis dificuldades.

19/09/2008

Propostas de redação


Para os alunos que estão se preparando para o vestibular: um "banco de redações".

http://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/temas.jhtm

17/08/2008

Escrever e escrever



Tenho “postado” aqui comentários de escritores sobre a escrita. Acho que uma reflexão, ainda que breve, se faz necessária.

O objetivo do blog é ajudar aos meus alunos a redigir melhor. Para o ENEM, para o Vestibular, para o BAC (exame de ensino médio francês). Mas sou ambiciosa e sonho além: examinar a escrita um pouco mais de perto, mostrar algumas de suas nuances para as quais nem sempre sobra tempo em sala. E desse modo, talvez, contribuir para que os alunos desenvolvam um interesse maior pela palavra escrita.

Escrever é muito mais que redigir 25 ou 30 linhas para passar numa prova. O ato da escrita é sempre um ato de coragem. Em situações de prova, o que se espera do aluno, além do domínio das regras gramaticais, é uma argumentação coerente, um vocabulário variado e bem utilizado, mas também (e principalmente) que ele partilhe com o leitor (o examinador) algumas de suas idéias a respeito do mundo (do tema proposto, no caso de uma prova). E é aí que localizo a maior dificuldade dos meus alunos.

Gustavo Bernardo, no seu livro Redação Inquieta (Formato Editorial, SP), nos diz que:

“...acontece de pensarmos borbotões de coisas, e se expressarmos o borbotão todo nos internam rapidinho. Uma expressão clara depende de gestos vigorosos de escolha, entre o que vai ser dito e o que não vai. Logo, o aprendizado da escolha, durante a vida do sujeito, determinará toda a clareza de sua expressão – ou não.

O problema é: quem escolhe se compromete. Quem escolhe se define. E certamente muitas e muitas pessoas preferem não se comprometer e não se definir... A falta da clareza espelharia a presença do medo. Pois facilitar a leitura do outro representa facilitar o seu acesso às nossas idéias, em última instância, a nós mesmos...”



Quando o aluno tem um tempo limitado para escrever sobre um tema que foi proposto por outra pessoa, o nível da sua motivação geralmente cai muito. Peço aos alunos para tentar enxergar esse momento (a redação para nota) como um treinamento para a vida futura. E tentar, ainda que o ato pareça assustador, demonstrar através da palavra escrita um pouco de quem eles realmente são.

07/08/2008

Ortografia


Alguns alunos pensam que escrever bem é sinônimo de conhecer a ortografia da língua. Isso é verdade até certo ponto. É claro que não se pode fazer uma omelete sem ovos. O domínio das normas gramaticais (inclusive da ortografia) é muito importante. Mas, não é tudo.

Para ajudá-los, aqui estão os 100 erros mais comuns nas redações. Atenção: algumas das regras foram modificadas com o novo acordo ortográfico. Oportunamente, falarei mais a respeito da nova reforma.

1. "Mal cheiro", "mau-humorado". Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.

2. "Fazem" cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

3. "Houveram" muitos acidentes. Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.

4. "Existe" muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam idéias.

5. Para "mim" fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

6. Entre "eu" e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.

7. "Há" dez anos "atrás". Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.

8. "Entrar dentro". O certo: entrar em. Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido.

9. "Venda à prazo". Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.

10. "Porque" você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão, use por que separado: Por que (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por que razão você se atrasou. Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado.

11. Vai assistir "o" jogo hoje. Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.

12. Preferia ir "do que" ficar. Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória.

13. O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas denúncias. Não existe o sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias.

14. Não há regra sem "excessão". O certo é exceção. Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: "paralizar" (paralisar), "beneficiente" (beneficente), "xuxu" (chuchu), "previlégio" (privilégio), "vultuoso" (vultoso), "cincoenta" (cinqüenta), "zuar" (zoar), "frustado" (frustrado), "calcáreo" (calcário), "advinhar" (adivinhar), "benvindo" (bem-vindo), "ascenção" (ascensão), "pixar" (pichar), "impecilho" (empecilho), "envólucro" (invólucro).

15. Quebrou "o" óculos. Concordância no plural: os óculos, meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.

16. Comprei "ele" para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

17. Nunca "lhe" vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto: Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama.

18. "Aluga-se" casas. O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.

19. "Tratam-se" de. O verbo seguido de preposição não varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissionais. / Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos. / Conta-se com os amigos.

20. Chegou "em" São Paulo. Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo.

21. Atraso implicará "em" punição. Implicar é direto no sentido de acarretar, pressupor: Atraso implicará punição. / Promoção implica responsabilidade.

22. Vive "às custas" do pai. O certo: Vive à custa do pai. Use também em via de, e não "em vias de": Espécie em via de extinção. / Trabalho em via de conclusão.

23. Todos somos "cidadões". O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres.

24. O ingresso é "gratuíto". A pronúncia correta é gratúito, assim como circúito, intúito e fortúito (o acento não existe e só indica a letra tônica). Da mesma forma: flúido, condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo.

25. A última "seção" de cinema. Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso.

26. Vendeu "uma" grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a alface, a cal, etc.

27. "Porisso". Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de.

28. Não viu "qualquer" risco. É nenhum, e não "qualquer", que se emprega depois de negativas: Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão.

29. A feira "inicia" amanhã. Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã.

30. Soube que os homens "feriram-se". O que atrai o pronome: Soube que os homens se feriram. / A festa que se realizou... O mesmo ocorre com as negativas, as conjunções subordinativas e os advérbios: Não lhe diga nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quando se falava no assunto... / Como as pessoas lhe haviam dito... / Aqui se faz, aqui se paga. / Depois o procuro.

31. O peixe tem muito "espinho". Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O "fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" (geminada), "ciclo" (círculo) vicioso, "cabeçário" (cabeçalho).

32. Não sabiam "aonde" ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?

33. "Obrigado", disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: "Obrigada", disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo.

34. O governo "interviu". Intervir conjuga-se como vir. Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha, intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos derivados: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser, etc.

35. Ela era "meia" louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.

36. "Fica" você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui.

37. A questão não tem nada "haver" com você. A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.

38. A corrida custa 5 "real". A moeda tem plural, e regular: A corrida custa 5 reais.

39. Vou "emprestar" dele. Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.

40. Foi "taxado" de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano.

41. Ele foi um dos que "chegou" antes. Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.

42. "Cerca de 18" pessoas o saudaram. Cerca de indica arredondamento e não pode aparecer com números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram.

43. Ministro nega que "é" negligente. Negar que introduz subjuntivo, assim como embora e talvez: Ministro nega que seja negligente. / O jogador negou que tivesse cometido a falta. / Ele talvez o convide para a festa. / Embora tente negar, vai deixar a empresa.

44. Tinha "chego" atrasado. "Chego" não existe. O certo: Tinha chegado atrasado.

45. Tons "pastéis" predominam. Nome de cor, quando expresso por substantivo, não varia: Tons pastel, blusas rosa, gravatas cinza, camisas creme. No caso de adjetivo, o plural é o normal: Ternos azuis, canetas pretas, fitas amarelas.

46. Lute pelo "meio-ambiente". Meio ambiente não tem hífen, nem hora extra, ponto de vista, mala direta, pronta entrega, etc. O sinal aparece, porém, em mão-de-obra, matéria-prima, infra-estrutura, primeira-dama, vale-refeição, meio-de-campo, etc.

47. Queria namorar "com" o colega. O com não existe: Queria namorar o colega.

48. O processo deu entrada "junto ao" STF. Processo dá entrada no STF. Igualmente: O jogador foi contratado do (e não "junto ao") Guarani. / Cresceu muito o prestígio do jornal entre os (e não "junto aos") leitores. / Era grande a sua dívida com o (e não "junto ao") banco. / A reclamação foi apresentada ao (e não "junto ao") Procon.

49. As pessoas "esperavam-o". Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.

50. Vocês "fariam-lhe" um favor? Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca "imporá-se"). / Os amigos nos darão (e não "darão-nos") um presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo "formado-me").

51. Chegou "a" duas horas e partirá daqui "há" cinco minutos. Há indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.

52. Blusa "em" seda. Usa-se de, e não em, para definir o material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, casa de alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira.

53. A artista "deu à luz a" gêmeos. A expressão é dar à luz, apenas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é errado dizer: Deu "a luz a" gêmeos.

54. Estávamos "em" quatro à mesa. O em não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala.

55. Sentou "na" mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao computador.

56. Ficou contente "por causa que" ninguém se feriu. Embora popular, a locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu.

57. O time empatou "em" 2 a 2. A preposição é por: O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma forma: empate por.

58. À medida "em" que a epidemia se espalhava... O certo é: À medida que a epidemia se espalhava... Existe ainda na medida em que (tendo em vista que): É preciso cumprir as leis, na medida em que elas existem.

59. Não queria que "receiassem" a sua companhia. O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam).

60. Eles "tem" razão. No plural, têm é assim, com acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem.

61. A moça estava ali "há" muito tempo. Haver concorda com estava. Portanto: A moça estava ali havia (fazia) muito tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos meses. / Estava sem dormir havia (fazia) três meses. (O havia se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais-que-perfeito do indicativo.)

62. Não "se o" diz. É errado juntar o se com os pronomes o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz isso), vê-se-a, etc.

63. Acordos "políticos-partidários". Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia: acordos político-partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos social-democratas.

64. Fique "tranquilo". O u pronunciável depois de q e g e antes de e e i exige trema: Tranqüilo, conseqüência, lingüiça, agüentar, Birigüi.

65. Andou por "todo" país. Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos.

66. "Todos" amigos o elogiavam. No plural, todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do texto.

67. Favoreceu "ao" time da casa. Favorecer, nesse sentido, rejeita a: Favoreceu o time da casa. / A decisão favoreceu os jogadores.

68. Ela "mesmo" arrumou a sala. Mesmo, quanto equivale a próprio, é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia.

69. Chamei-o e "o mesmo" não atendeu. Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não "dos mesmos").

70. Vou sair "essa" noite. É este que desiga o tempo no qual se está ou objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 20).

71. A temperatura chegou a 0 "graus". Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.

72. A promoção veio "de encontro aos" seus desejos. Ao encontro de é que expressa ma situação favorável: A promoção veio ao encontro dos seus desejos. De encontro a significa condição contrária: A queda do nível dos salários foi de encontro às (foi contra) expectativas da categoria.

73. Comeu frango "ao invés de" peixe. Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.

74. Se eu "ver" você por aí... O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer), predissermos.

75. Ele "intermedia" a negociação. Mediar e intermediar conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a negociação. Remediar, ansiar e incendiar também seguem essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, incendeio.

76. Ninguém se "adequa". Não existem as formas "adequa", "adeqüe", etc., mas apenas aquelas em que o acento cai no a ou o: adequaram, adequou, adequasse, etc.

77. Evite que a bomba "expluda". Explodir só tem as pessoas em que depois do d vêm e e i: Explode, explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale "exploda" ou "expluda", substituindo essas formas por rebente, por exemplo. Precaver-se também não se conjuga em todas as pessoas. Assim, não existem as formas "precavejo", "precavês", "precavém", "precavenho", "precavenha", "precaveja", etc.

78. Governo "reavê" confiança. Equivalente: Governo recupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos casos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá, reouvesse. Por isso, não existem "reavejo", "reavê", etc.

79. Disse o que "quiz". Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.

80. O homem "possue" muitos bens. O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.

81. A tese "onde"... Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa idéia. / O livro em que... / A faixa em que ele canta... / Na entrevista em que...

82. Já "foi comunicado" da decisão. Uma decisão é comunicada, mas ninguém "é comunicado" de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria "comunicou" os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados.

83. Venha "por" a roupa. Pôr, verbo, tem acento diferencial: Venha pôr a roupa. O mesmo ocorre com pôde (passado): Não pôde vir. Veja outros: fôrma, pêlo e pêlos (cabelo, cabelos), pára (verbo parar), péla (bola ou verbo pelar), pélo (verbo pelar), pólo e pólos. Perderam o sinal, no entanto: Ele, toda, ovo, selo, almoço, etc.

84. "Inflingiu" o regulamento. Infringir é que significa transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não "inflingir") significa impor: Infligiu séria punição ao réu.

85. A modelo "pousou" o dia todo. Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).

86. Espero que "viagem" hoje. Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar): Espero que viajem hoje. Evite também "comprimentar" alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).

87. O pai "sequer" foi avisado. Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar.

88. Comprou uma TV "a cores". Veja o correto: Comprou uma TV em cores (não se diz TV "a" preto e branco). Da mesma forma: Transmissão em cores, desenho em cores.

89. "Causou-me" estranheza as palavras. Use o certo: Causaram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é comum o erro de concordância quando o verbo está antes do sujeito. Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e não "foi iniciado" esta noite as obras).

90. A realidade das pessoas "podem" mudar. Cuidado: palavra próxima ao verbo não deve influir na concordância. Por isso : A realidade das pessoas pode mudar. / A troca de agressões entre os funcionários foi punida (e não "foram punidas").

91. O fato passou "desapercebido". Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.

92. "Haja visto" seu empenho... A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.

93. A moça "que ele gosta". Como se gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), a prova de que participou, o amigo a que se referiu, etc.

94. É hora "dele" chegar. Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado... / Depois de esses fatos terem ocorrido...

95. Vou "consigo". Consigo só tem valor reflexivo (pensou consigo mesmo) e não pode substituir com você, com o senhor. Portanto: Vou com você, vou com o senhor. Igualmente: Isto é para o senhor (e não "para si").

96. Já "é" 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não "são") 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite.

97. A festa começa às 8 "hrs.". As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não "kms."), 5 m, 10 kg.

98. "Dado" os índices das pesquisas... A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas... / Dado o resultado... / Dadas as suas idéias...

99. Ficou "sobre" a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás.

100. "Ao meu ver". Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver.


Essa lista foi encontrada aqui:
http://www.algosobre.com.br/redacao/100-erros-comuns-em-redacao.html

05/08/2008

Dissertação & Argumentação


A dissertação e a argumentação aparecem muitas vezes como se fossem iguais nos livros didáticos. Porém, uma e outra têm características próprias.

A dissertação tem como objetivo principal expor, explicar ou interpretar idéias. Na dissertação explicamos o que sabemos (ou o que pensamos que sabemos) sobre um assunto: a nossa opinião é dada apenas sobre o que é ou o que parece ser.

Já na argumentação, além de expor o assunto, tentamos principalmente formar a opinião do leitor e tentamos convencê-lo de que estamos com a verdade.

Argumentar é, em última análise, convencer ou tentar convencer mediante a apresentação de razões, em face da evidência de provas e à luz de um raciocínio coerente e consistente...(Othon M. Garcia in Comunicação em Prosa Moderna).

Mas o que é uma evidência?

Segundo Descartes, evidência é o critério da verdade.

http://forumfilosofia.wordpress.com/2008/01/29/rene-descartes-metodo-duvida-pensamento/

Evidência é a “certeza manifesta, a certeza a que se chega pelo raciocínio (evidência da razão) ou pela apresentação dos fatos (evidência de fato), independemente de toda teoria”. (Othon M. Garcia)

Há cinco tipos mais comuns de evidência:

1. Os fatos
2. Exemplos
3. Ilustrações
4. Dados estatísticos
5. Testemunho

E como faço para recolher evidências e redigir uma boa argumentação? É nesse momento que entra a importância da leitura. Geralmente, os temas para redação vêm acompanhados de textos de apoio. Entretanto, será muito difícil para um aluno redigir uma redação sobre um tema totalmente desconhecido e cujo primeiro contato está sendo a prova de redação. Um conselho? Leiam. E reflitam.

Aqui estão alguns artigos, cuja leitura pode ajudá-los na hora da prova.

Atividade: retirem de cada texto algumas evidências que possam sustentar uma possível argumentação sobre o tema.

Desmatamento da Floresta Amazônica:

http://www.conservacao.org/publicacoes/megadiversidade/16_Fearnside.pdf

O uso da Internet no Brasil:


http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u425794.shtml

http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI1784983-EI4802,00.html

Alimentos transgênicos:

http://www.consumidorbrasil.com.br/consumidorbrasil/textos/cidadao/alimentostrans.htm

Países BRIC

http://www.inesc.org.br/noticias/noticias-gerais/2008/maio/paises-do-bric-intensificam-lacos-e-discutem-crise-de-alimentos/

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080527/not_imp178588,0.php

Poluição ambiental


http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/07/31/china_apresenta_plano_de_emergencia_contra_poluicao_nos_jogos-547498495.asp

http://drauziovarella.ig.com.br/entrevistas/dpoluicao4.asp

04/08/2008

Que coisa!








“Mexe qualquer coisa dentro doida, já qualquer coisa doida dentro mexe...” Caetano Veloso.




A canção de Caetano Veloso utiliza maravilhosamente bem a palavra "coisa". Entretanto, como costumo repetir aos meus alunos, essa palavrinha tão utilizada na linguagem oral deve ser evitada numa redação para o ENEM ou vestibular. Uma das razões é porque na linguagem escrita, principalmente numa dissertação, devemos ser claros e precisos. Afinal, não contamos com os recursos da linguagem oral (expressões faciais, gestos, olhares, tom de voz, etc.) para mostrar ao nosso interlocutor o que exatamente queremos dizer. “Coisa” é uma palavra-coringa, imprecisa e que pode indicar um vocabulário limitado. E numa prova, você tem apenas 25 linhas para impressionar bem o examinador.

Um exercício: substitua a palavra coisa nas frases abaixo e observe como elas tornam-se bem mais precisas. Talvez você precise alterar a concordância nominal/verbal.

1. Não concordo com essa coisa do jeito que está.
2. Nosso filho sempre pede muitas coisas no natal.
3. O show do Caetano foi ótimo, ele mostrou muitas coisas novas.
4. Ela escreve muito bem. Gosto muito das coisas dela.
5. O professor ensinou uma coisa muito difícil.
6. O desmatamento da Floresta Amazônica é uma coisa que atinge a todos nós.
7. A coisa mais difícil da língua chinesa é a pronúncia

03/08/2008

Redação Nota 10

Esta redação obteve a nota máxima no ENEM em 2006.

Quando o sol da cultura está baixo, até os mais ínfimos seres emitem luz

Marcel Proust, grande escritor e exemplo máximo de uma vida dedicada unicamente à leitura e à literatura, disse em seus escritos “cada leitor, quando lê, é um leitor de si mesmo”. O que Proust evidencia nessa frase deixa em aberto uma série de interpretações que podem ser realizadas a partir do hábito entusiástico e não visto como uma obrigação, pela leitura.

Estar em contato com o universo das palavras e nele encontrar uma atividade prazerosa, ao mesmo tempo que nos leva a absorver todo o conhecimento exterior, também nos conduz a uma busca de tudo que representa algo de nós mesmos nesse conhecimento que chega até nós. Em cada nova leitura, ocorre algo semelhante a uma lapidação de nossos desejos e predileções.

Os livros constituem um tipo de transporte de conhecimento diferente da televisão por exemplo, onde as informações são transmitidas a todo o momento, e para tal, só precisa de nossa permissão para a passagem de suas imagens através de nosso córtex. O nível de saber que podemos extrair de um livro possui o mesmo limite de nossa vontade de fazê-lo. E, ao contrário das informações “prontas” da televisão, temos a total liberdade de interpretação, o que confere o aperfeiçoamento de nosso senso crítico e o melhoramento de como nos posicionamos diante do mundo.

O hábito da leitura não possui caráter elitista e nem está associado ao poder aquisitivo. Em qualquer cidade, por menor que seja, há uma biblioteca, basta que tenhamos interesse em desvendar todo o mistério contido nela. Ao ler, nos tornamos mais cultos, mais seguros de nossas convicções, nos expressamos e escrevemos melhor. Medidas públicas devem ser realizadas para garantir essa acessibilidade e assim, seus respectivos países possam brilhar, iluminados pelo sol da cultura.


Há outras redações nota 10 no site do ENEM:
http://www.enem.inep.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=63&Itemid=116

01/08/2008

Clarice e a escrita


Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de... de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse "estilo" (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde. Nunca tive um só problema de expressão, meu problema é muito mais grave: é o de concepção. Quando falo em "humildade" refiro-me à humildade no sentido cristão (como ideal a poder ser alcançado ou não); refiro-me à humildade que vem da plena consciência de se ser realmente incapaz. E refiro-me à humildade como técnica. Virgem Maria, até eu mesma me assustei com minha falta de pudor; mas é que não é. Humildade com técnica é o seguinte: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente. Descobri este tipo de humildade, o que não deixa de ser uma forma engraçada de orgulho. Orgulho não é pecado, pelo menos não grave: orgulho é coisa infantil em que se cai como se cai em gulodice. Só que orgulho tem a enorme desvantagem de ser um erro grave, com todo o atraso que erro dá à vida, faz perder muito tempo.

Texto extraído do livro "A Descoberta do Mundo", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1999.

27/07/2008

As razões do blog

"Aprender a escrever é aprender a pensar...".
Othon M. Garcia


Por que tenho tanta dificuldade para escrever? O que se espera de uma redação de vestibular? Quais são os critérios de avaliação dos examinadores do ENEM? Como fazer uma boa redação para o vestibular? O que tenho que aprender para escrever bem? O que é uma boa dissertação? O que significa "falta de coerência"? Como posso organizar melhor as minhas idéias?

Essas são apenas algumas das perguntas que ouço dos meus alunos de segundo grau. Preocupados com as provas de vestibular e com o ENEM, eles se sentem muitas vezes incapazes diante das linhas em branco de uma prova de redação. O mais espantoso é que o mesmo aluno que apresenta dificuldades em redação é falante e bem articulado, demonstrando um perfeito domínio da linguagem oral.

E é então que me pergunto: o que posso fazer para ajudá-los? Como posso “ensinar redação”? E o que é mais importante, o que posso fazer para que eles de fato aprendam a escrever melhor?

E por isso, decidi iniciar este blog. Este espaço é dedicado a todos os alunos da escola onde leciono. A idéia é que, utilizando uma ferramenta que eles conhecem bem, eu possa ensiná-los a redigir de uma forma mais clara e eficiente. Aqui, eles encontrarão dicas de redação, um pouco de teoria, resenhas de livros, textos interessantes, enfim, tudo o que de algum modo, seja relevante para o domínio da linguagem escrita. Além disso, semanalmente colocarei exercícios de redação.

Sugestões e comentários são sempre bem-vindos.