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18/12/2011

Sobre o ato de escrever...



Agora que o ano letivo se encerrou, tenho mais tempo para ler e escrever, inclusive os posts deste blog. E tenho pensado muito sobre o ato de escrever.

O que seria realmente escrever? Apenas dominar as técnicas de redação? Ortografia? Sintaxe? Claro que não. Escrever é muito mais do que isso. Escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida. E se executada de determinado modo e com certos objetivos pode levar à criação de uma obra de arte, ou seja, de um texto literário. É claro que no caso da literatura outros componentes entram em jogo. Afinal, nem todo texto escrito é uma obra literária.

No ensino de redação há vários níveis de escrita. Quando o aluno inicia o seu contato com as letras, o grau e o foco de exigência do professor é um. Nesse momento, a técnica, as regras gramaticais e a ortografia precisam ser ensinadas e aprendidas. Depois o foco da avaliação deve ser outro; gradativamente, ao longo do ensino fundamental e médio, oportunidades de escrever devem ser oferecidas ao aluno, bem como um feedback que o auxilie a melhorar o seu texto. Nem sempre é fácil pois no sistema escolar é necessário quantificar a produção do aluno. E isso é realmente subjetivo e, algumas vezes, pode até ser desmotivante tanto para o aluno quanto para o professor. Quando se trata de avaliar uma redação é necessário que os critérios usados pelo professor fiquem claros para os alunos.

Lembro sempre de uma citação de João Cabral de Melo Neto: "Escrever é estar no extremo de si mesmo". E não é que é isso mesmo? Nas aulas de redação, nós professores costumamos pedir ao aluno nada mais nada menos para agir no extremo de si mesmo. Nada fácil. Principalmente quando nem sempre estamos dispostos a frequentar esse abismo, esse precipício pleno de possibilidades (e de riscos) que é o ato de escrever.

Aqui estão algumas reflexões de autores conhecidos sobre o ato de escrever:

"Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias." (Pablo Neruda)

"Escrever é, simplesmente, uma maneira de falar sem que nos interrompam." (Sofocleto)

"É preciso escrever o mais possível como se fala e não falar demais como se escreve." (Sainte-Beuve)

"O ato de escrever é a arte de sentar-se numa cadeira." (Sinclair Lewis)

"Somos todos escritores. Só que uns escrevem, outros não." (José Saramago)

"Escrever é ter coisas para dizer." (Darcy Ribeiro)

"Perdoe-me, senhora, se escrevi carta tão comprida. Não tive tempo de fazê-la curta." (Voltaire)

"Reescrevi 30 vezes o último parágrafo de 'Adeus às Armas' antes de me sentir satisfeito." (Ernest Hemingway)

"Uma história se conta, não se explica." (Jorge Amado)

"Escrevo para que meus amigos me amem ainda mais." (Gabriel García-Márquez)

"Cada um escreve do jeito que respira. Cada um tem seu estilo. Devo minha literatura à asma." (Fabrício Carpinejar)

"Escrever é um ato de liberdade." (Martin Amis)

"Escrever é uma forma de a voz sobreviver à pessoa." (Margaret Atwood)

"De escrever para marmanjos já me enjoei. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo." (Monteiro Lobato)

"Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer é porque um dos dois é burro." (Mário Quintana)

"Existem três regras para escrever ficção. Infelizmente ninguém sabe quais são elas." (W. Somerset Maugham)

"O autor escreve apenas metade de um livro. A outra metade fica por conta do leitor." (Joseph Conrad)

"Corrigir uma página é fácil, mas escrevê-la, ah, amigo! Isso é difícil." (Jorge Luis Borges)

"Escrever não é fácil ou difícil, mas possível ou impossível." (Camilo José Cela)

"Escrever é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um instante em forma de palavra." (Margaret Atwood)

"Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida." (Clarice Lispector)

"Para escrever bem é preciso uma facilidade natural e uma dificuldade adquirida." (Joseph Joubert)

"Escrever não é nada mais senão ter o tempo de dizer: estou morrendo." (Gaëtan Picon)

"Uns escrevem para salvar a humanidade ou incitar lutas de classes, outros para se perpetuar nos manuais de literatura ou conquistar posições e honrarias. Os melhores são os que escrevem pelo prazer de escrever." (Lêdo Ivo)

"Escrever é sacudir o sentido do mundo." (Roland Barthes)

31/08/2010

Como iniciar uma redação?

Se todo escritor, vez ou outra, se depara com o famoso "bloqueio", o que dizer do aluno em uma situação de prova? Muitas vezes, o mais difícil é mesmo começar a redação. Após o primeiro parágrafo, parece que as ideias fluem melhor. Então, o que fazer diante da folha em branco?

Para ajudá-los, aqui estão 18 dicas de como inciar um texto.

09/11/2009

Ruy Castro



Para refletir sobre a língua portuguesa, transcrevo aqui um trechinho de uma entrevista com o jornalista e escritor Ruy Castro que tirei do jornal Rascunho.

No texto Perigo - palavras enlouquecendo (2002), ao apontar uma série de barbaridades cometidas diariamente contra a língua portuguesa, o senhor escreve que "num processo galopante de degeneração da língua, estamos falando como zumbis, e os jovens, talvez, mais do que todos". O senhor acredita que a língua portuguesa passa por maus bocados neste momento no Brasil? E a que (ou a quem) o senhor credita este descaso?
Hoje de manhã, uma amiga minha me disse candidamente: "Fulano me adicionou no Facebook" - e, pela minha cara, caiu em si, sentiu o ridículo, viu que estava falando em internetês e começou a rir. Já falamos melhor, não? Apesar dos acréscimos à língua - usamos hoje palavras que não existiam há 20 ou 30 anos, porque não havia função para elas -, temo que o vocabulário de uso corrente tenha sido consideravelmente reduzido. A culpa disso é nossa, que trabalhamos com livros, jornais, revistas - não estamos sabendo resistir à pauperização da língua. Sempre que deixamos de usar uma palavra ou expressão, porque ela "pode não ser entendida pela maioria", contribuímos para sua morte - e aí é uma ferramenta lingüística a menos. Se quiser se certificar do estado deplorável da língua na boca do povo, ouça as entrevistas dos jogadores de futebol depois dos jogos - eles nunca foram, nem precisaram ser grandes oradores, mas, neste momento, duvido que a maioria deles use mais que umas mil palavras no dia-a-dia. E todos usam as mesmas palavras: "com certeza", "a gente já sabia" e "agora é levantar a cabeça".

Quem tiver interesse, pode ler a entrevista completa aqui.

16/09/2008

Linguagem adolescente



olah pessoau...... tudu bem??!?! keria konversah kom 6 sobre a linguagi dus adolescentis......

Meus alunos costumam se comunicar com os amigos pelo computador. E, às vezes, a linguagem que eles utilizam nas suas mensagens transborda para as redações. Eu sempre sublinho a palavra ou frase quando isso acontece e peço esclarecimentos. No entanto, numa redação oficial, o examinador espera que a língua utilizada seja o português padrão. A linguagem adolescente utizada para a comunicação informal entre amigos não é entendida por todos.

Um artigo da Folha de São Paulo informa que um programador criou um conversor on-line do português padrão para a linguagem dos adolescente. Confira aqui o artigo:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u304388.shtml

E o conversor:

http://www.coisinha.com.br/miguxeitor/

03/09/2008

Como nasce um escritor


É sempre interessante saber como escritores começaram a escrever. Ouça no link abaixo entrevistas com Fernando Bonassi, Moacyr Scliar e Nelida Piñon falando sobre o assunto.

http://www.museudapessoa.net/literatura/podcast/ML91_ComoNasceumEscritor.mp3

28/08/2008

Escrevendo em português


Como os meus alunos (de Português como Língua Estrangeira) normalmente têm mais contato com a linguagem oral, procuro criar atividades que os façam exercitar a escrita. E a última tarefa proposta foi a criação (em duplas) de um blog. A maior parte da turma abraçou a idéia e se empenhou bastante. Alguns, superaram as minhas expectativas e elaboraram ótimos blogs.

A experiência confirma algo que eu já sabia. É muito mais fácil escrever sobre o que gostamos. Sem obrigação de ter que respeitar um tema, a escrita flui mais facilmente.

Parabéns a todos os alunos que se empenharam na atividade. Aqui estão alguns dos novos blogs na rede:

http://oparaisodoskate.blogspot.com

http://viagem-dos-sonhos.blogspot.com

http://malabargirls.blogspot.com

27/08/2008

Pontuação


Há uns anos atrás, um livro sobre pontuação tornou-se bestseller na Inglaterra. Incrível, não? O livro chama-se Eats, shoots & leaves e até a autora, Lynn Truss, ficou espantada com o sucesso de vendas. O pequeno livro desencadeou uma onda de preocupação com a pontuação, debates, entrevistas e visitas a escolas, tornando óbvio que muita gente tinha dúvidas a respeito de pontuação.

Quando escrevemos, não contamos com os mesmos recursos da linguagem oral. E para que nosso texto seja claro e fluido, precisamos utilizar a pontuação. É ela que irá indicar ao leitor as pausas, as mudanças de idéias, as reflexões. Às vezes, noto em algumas redações que recebo que nem as regras básicas são respeitadas. Por exemplo, não se pode separar o sujeito de seu predicado, ou um verbo de seu complemento.

Se alguém possui alguma dúvida a esse respeito, pode consultar uma boa gramática ou os links abaixo. Os meus alunos podem sempre me perguntar pessoalmente.

http://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%ADrgula

http://sbi_web.ifsc.usp.br/manual_rich_redpr2aed.pdf


Para quem se interessar pelo livro da Lynn Truss:

http://www.guardian.co.uk/books/2004/apr/11/features.review1

http://en.wikipedia.org/wiki/Eats,_Shoots_&_Leaves

http://www.amazon.com/dp/1592400876/ref=nosim?tag=sealarksgoodbook&link_code=as3&creative=373489&camp=211189

E para quem quiser se divertir um pouquinho, uma velha história disponível na rede:

A IMPORTÂNCIA DA PONTUAÇÃO

Um homem rico estava muito mal. Pediu papel e pena. Escreveu assim:
Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres.


Morreu antes de fazer a pontuação. A quem deixava ele a fortuna? Eram quatro concorrentes.

O sobrinho fez a seguinte pontuação:

Deixo meus bens à minha irmã? Não!
A meu sobrinho.
Jamais será paga a conta do padeiro.
Nada dou aos pobres.


A irmã chegou em seguida. Pontuou assim o escrito:

Deixo meus bens à minha irmã.
Não a meu sobrinho.
Jamais será paga a conta do padeiro.
Nada dou aos pobres.


O padeiro pediu cópia do original. Puxou a brasa pra sardinha dele:
Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.


Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez esta interpretação:

Deixo meus bens à minha irmã? Não!
A meu sobrinho? Jamais!
Será paga a conta do padeiro? Nada!
Dou aos pobres.

17/08/2008

Escrever e escrever



Tenho “postado” aqui comentários de escritores sobre a escrita. Acho que uma reflexão, ainda que breve, se faz necessária.

O objetivo do blog é ajudar aos meus alunos a redigir melhor. Para o ENEM, para o Vestibular, para o BAC (exame de ensino médio francês). Mas sou ambiciosa e sonho além: examinar a escrita um pouco mais de perto, mostrar algumas de suas nuances para as quais nem sempre sobra tempo em sala. E desse modo, talvez, contribuir para que os alunos desenvolvam um interesse maior pela palavra escrita.

Escrever é muito mais que redigir 25 ou 30 linhas para passar numa prova. O ato da escrita é sempre um ato de coragem. Em situações de prova, o que se espera do aluno, além do domínio das regras gramaticais, é uma argumentação coerente, um vocabulário variado e bem utilizado, mas também (e principalmente) que ele partilhe com o leitor (o examinador) algumas de suas idéias a respeito do mundo (do tema proposto, no caso de uma prova). E é aí que localizo a maior dificuldade dos meus alunos.

Gustavo Bernardo, no seu livro Redação Inquieta (Formato Editorial, SP), nos diz que:

“...acontece de pensarmos borbotões de coisas, e se expressarmos o borbotão todo nos internam rapidinho. Uma expressão clara depende de gestos vigorosos de escolha, entre o que vai ser dito e o que não vai. Logo, o aprendizado da escolha, durante a vida do sujeito, determinará toda a clareza de sua expressão – ou não.

O problema é: quem escolhe se compromete. Quem escolhe se define. E certamente muitas e muitas pessoas preferem não se comprometer e não se definir... A falta da clareza espelharia a presença do medo. Pois facilitar a leitura do outro representa facilitar o seu acesso às nossas idéias, em última instância, a nós mesmos...”



Quando o aluno tem um tempo limitado para escrever sobre um tema que foi proposto por outra pessoa, o nível da sua motivação geralmente cai muito. Peço aos alunos para tentar enxergar esse momento (a redação para nota) como um treinamento para a vida futura. E tentar, ainda que o ato pareça assustador, demonstrar através da palavra escrita um pouco de quem eles realmente são.

27/07/2008

As razões do blog

"Aprender a escrever é aprender a pensar...".
Othon M. Garcia


Por que tenho tanta dificuldade para escrever? O que se espera de uma redação de vestibular? Quais são os critérios de avaliação dos examinadores do ENEM? Como fazer uma boa redação para o vestibular? O que tenho que aprender para escrever bem? O que é uma boa dissertação? O que significa "falta de coerência"? Como posso organizar melhor as minhas idéias?

Essas são apenas algumas das perguntas que ouço dos meus alunos de segundo grau. Preocupados com as provas de vestibular e com o ENEM, eles se sentem muitas vezes incapazes diante das linhas em branco de uma prova de redação. O mais espantoso é que o mesmo aluno que apresenta dificuldades em redação é falante e bem articulado, demonstrando um perfeito domínio da linguagem oral.

E é então que me pergunto: o que posso fazer para ajudá-los? Como posso “ensinar redação”? E o que é mais importante, o que posso fazer para que eles de fato aprendam a escrever melhor?

E por isso, decidi iniciar este blog. Este espaço é dedicado a todos os alunos da escola onde leciono. A idéia é que, utilizando uma ferramenta que eles conhecem bem, eu possa ensiná-los a redigir de uma forma mais clara e eficiente. Aqui, eles encontrarão dicas de redação, um pouco de teoria, resenhas de livros, textos interessantes, enfim, tudo o que de algum modo, seja relevante para o domínio da linguagem escrita. Além disso, semanalmente colocarei exercícios de redação.

Sugestões e comentários são sempre bem-vindos.